Antes de começar eu gostaria de deixar bem claro duas coisas:
1-) Esse texto é baseado nas minhas próprias experiências, em histórias de vestibulandos de medicina que conheci e em histórias de amigos de amigos que me contam.
2-) As coisas que estou contando não se resumem a bolha morumbi-higienópolis, nem a triste realidade das escolas públicas e blá blá blá, estou contando no geral. Juntando as duas coisas.

Acredito que seja bem claro para todos que é a carreira mais concorrida do Brasil. Começa aí a crueldade, o psicológico de todo candidato a médico já começa o caminho abalado. Pra aqueles que sabem, desde sempre, que querem fazer medicina, a parte sofrida começa no Ensino Médio. Enquanto todos estão preocupados em passar de ano, os nossos pretendentes a médicos (vou chamá-los de mártires, se me permitem a brincadeira) estão se matando de estudar pra absorver o máximo de informação possível pro vestibular, sendo que muitas vezes nem é ano dele ainda. As escolhas a serem feitas são outro agravante. Não mais cinema, futebol, balada... esqueça os amigos, o namoro fica difícil, a família desaparece, agora a vida se resume a ele e aos livros. Os primeiros vestibulares prestados, ainda como treineiro, assustam, descabelam, arrancam lágrimas, tremedeiras, desespero e um agonia inenarrável. O medo de não conseguir quando for a hora certa sufoca, traz pra mente absurdos que vão do sentimento de incapacidade até a vontade de desistir de tudo. Em alguns casos, muito extremos, o desejo de morte é muito grande. E acreditem, ele acontece com muito mais freqüência do que se imagina. E enquanto tudo acontece na vida dos nossos mártires, os pais acreditam que é só estudar que a aprovação vem. Pobres pais... eles ignoram que o comportamento deles muitas vezes interfere muito mais que a quantidade de conhecimento dos filhos.
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